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Errando é que aprendemos…

… e só erra quem tenta e apesar de ser um dos maiores clichês, é verdade. E andei pensando e acho que falta um pouco disso nas minhas atitudes hoje em dia.

Vou contar uma breve história que aconteceu comigo, quando eu era menor. E apesar de não lembrar dos detalhes, eu por algum motivo nunca me esqueci e hoje em dia rio as vezes sozinho pensando nisso…. é, devo ser biruta mesmo.

Eu devia ter por volta de 15 anos (completamente chutado, acho que foi antes disso… mas vai no chute de 15 mesmo) e já mexia com computadores a um bom tempo (em um futuro não tão distante, um pouco mais sobre como acabei assim :P). E uma dos programas que eu usava era o eMule – versão < 0.30 – e curioso do jeito que era, resolvi baixar o código fonte dele, afinal não é pra isso que os programas são open-source? Para qualquer pessoa poder baixar, mexer e fuçar como quiser?

Então, dando um resumo geral da coisa após eu baixar o código fonte:

(a) Era em C++ e utilizava API do Windows (MFC se não me engano), mas tudo bem pois eu já não entendia xongas de C++ mesmo (apesar de já ter uma boa noção de lógica de programação e de já programar relativamente bem, por exemplo bastante para o NwN utilizando o Aurora Toolset).

(b) Era um projeto no Visual Studio (ou Visual Interdev? Não lembro o nome dessa tranqueira naquela época).

Então lá fui eu, todo serelepe buscando coisas e sabe se lá porque eu resolvi mudar alguma parte do código (afinal eu podia e queria ver o que acontecia)… e aquela bosta nem compilava. Affe saco, código #fiodumaputa. Ok, descobri que se eu colocasse um ‘*’ (asterisco) em frente algumas variáveis o negócio compilava! Há! Toma na sua cara C++!

Beleza, compilava mas nem chegava a abrir o programa direito e dava segfault (ou simplesmente por que essa porra travou?!) -_-‘. E eu nunca fiz nada de demais no código do emule depois disso para ser sincero… mas aprendi sobre a existência destes malditos asteriscos que ficam em frente aos nomes de variáveis e depois pesquisando mais sobre eles aprendi que essas coisas se chamavam ponteiros.

De fato, acho que só aprendi ponteiros mesmo quando era calouro e fiz Computação I na UFRJ, mas talvez pela(s) minha(s) tentativa(s) anterior(es) consegui assimilar tudo mais rápido, pois este parece ser um assunto que quase ninguém sai de Comp I sabendo direito e se entende algum dia, vai entender quando faz Org Dados I.

Enfim, hoje quando eu penso nisso… e me imagino, a minha cara enquanto me aventurava por terras inóspitas cheias de asteriscos na frente de variáveis… eu rio, e as vezes chego a rir muito. Sério, depois de implementar uma HBUPT (Heap Binomial Utilizando Ponteiros Triplos tm), é engraçado tentar pensar no que eu estava pensando naquele dia quando era mais novo e estava apenas brincando com o código do eMule.

Era um tipo de inocência/curiosidade que eu acho fantástico, a preocupação não era em chegar no final, mas aproveitar o passeio durante a caminho. Minha preocupação não era em deixar o eMule melhor (apesar de que se eu conseguisse fazer isso iria me sentir muito sinistro), mas era em aprender como funcionava, em entender o que era aquilo que magicamente para a maioria da população terrestre faz o download de arquivos de centenas de outras pessoas pelo mundo.

E é esse tipo de coisa que acho que talvez eu tenha perdido um pouco…

Não sei se é medo de errar e/ou de não conseguir chegar ao final de alguma coisa, não sei se é a preocupação em não perder tempo em coisas que serão 100% produtivas *com certeza* (assim eu posso gastar meu tempo em coisas bem mais úteis como MafiaWars e Twitter), ou então errar e me sentir ou achar que serei classificado como um fracasso (OBS1*) ?

Não acho que a curiosidade tenha acabado, afinal acho que se eu pudesse fazer 3 desejos (deixa de ser mendigo, eu tenho direito a 3 desejos…), 1 deles seria eu poder ter tempo de ler tudo o que eu quero, livros, artigos, páginas da internet (wikipedia tem *muita* coisa legal… que você descobre quando precisa fazer coisas úteis).

Mas acho que está faltando essa “ousadia” de simplesmente tentar, onde o “lucro” será o que vier pelo caminho e o final da jornada será apenas consequência. Aproveitar para aprender tudo que você pode enquanto ainda está descobrindo… pois quando se chega ao resultado esperado, a brincadeira termina…

OBS1: Vivemos em sociedade e uma de nossas necessidades básicas é nos mostrar fortes e corretos diante do grupo em que vivemos… peculiaridades do comportamento humano, estar mais preocupado com o que os outros acham do que com o que achamos. Está num estado muito maior de espírito aqueles que conseguem a auto-satisfação e a auto-aprovação, pois não há nada melhor do que receber congratulações de você mesmo. (Essa OBS1 foi escrita após uma conversa com meu pai :) ).

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